Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens

A incrivel história de Adaline

02/03/2016


O encantamento humano pela passagem de tempo e pela inevitabilidade da morte já passou pelo cinema, bem como “O Curioso caso de Benjamin Button” e “O Retrato de Dorian Gray”. Nessa questão, é uma honra assistir filme com A Incrível História de Adaline, apesar de que esteja distante de chegar à profundidade psicológica e filosófica das obras acima, desvia da natureza do tema, preferindo a analise de suas consequências intimas.

No filme, Adaline (Blake Lively) sofre um acidente de carro, e por uma combinação de fatores, nunca mais envelhece. A juventude eterna poderia ter sido vista com uma vantagem, mas o roteiro interpreta-a como não sendo. Ela está condenada a ver todos morrerem ao seu redor, e tendo que se esconder para não ser considerada uma aberração.

O argumento não muito bom, por isso a escolha fantástica ao assumir tom de fábula. Um narrador retrata os passos desta história, com sarcasmo e cientificismo. Apesar de que ninguém cobraria uma explicação física deste filme, porém a narração justifica como o choque em contato com o corpo em estado de hipotermia, ela pararia de envelhecer. Esta teoria não existe, obviamente, mas com muito humor o narrador fala “ela só vai ser descoberta em 2035”. O filme brinca com sua própria falta de realismo.

Remetendo a questão de tempo e o passar das décadas de 20 até os dias atuais, levando consigo o telespectador, onde a história de amor acontece. Essa imersão é mérito da excelente produção de época realizada pela equipe de arte, extremamente bonita e detalhada. Depois de muitos romances interrompidos devido à sua condição, a história de amor que de fato é o elo do filme acontece entre Adaline e o apaixonado Ellis Jones (Michiel Huisman).

Nas cenas iniciais, onde Ellis dá suas primeiras investidas são românticas e ingênuas. Inevitavelmente, toda história de amor tem um quê de pieguice, e essa não foge à regra. Bem como, não se foge da pieguice, também não se escapa das cenas em que ocorre uma certa forçação de barra. Estamos falando de uma história cujo pano de fundo tem traços místicos e fantásticos, porém, daí dizer que é verossímil uma pessoa em pleno século XXI, cuja aparência não denota mais que 30 anos, dizer que nasceu em 1908 e as pessoas acreditarem nisso de primeira, sem nenhuma indagação ou descrença, é demais.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final

24/11/2015


Com estreia antecipada para a última quarta-feira (18/11). Fãs foram aos cinemas conferir o fim da saga, que teve a missão de dá adeus aos apaixonados pela Panem. Eu fui no domingo assistir a última parte do filme da trilogia. Fui toda animada, afinal esperei por um longo tempo. Li todos os livros e fiquei muito ansiosa, pela espera dos filmes. Acredito que coloquei expectativas demais, e o filme infelizmente não as atendeu.

Susanne Collins é autora dos três livros da série, também ajudou na roteirização dos filmes. Atualmente, tem-se tornado uma tendência que trilogias adaptadas para o cinema têm o último livro divido em dois filmes. Com Jogos Vorazes não foi diferente. Acredito que isso pode ter o maior culpado do filme meio ruim.

A história retoma exatamente no fim da ‘Parte 1’ que acabou após ser atacada por Peeta. No filme é possível encontrar alguns erros de continuação, como o machucado no pescoço de Katniss nas primeiras cenas do filme, mas já na seguinte a protagonista parece ter uma recuperação espontânea.

Durante o filme é evidente a evolução de Peeta e a forma como Katniss vai aprendendo a lidar com as mudanças do jovem, depois dele ter sido vitima da capital, que usou teleguiadas para criar alucinações. despertando o desejo de matá-la. Enquanto Gale parece se distanciar cada vez mais dela, apesar de seu interesse ainda continuar evidente, mas suas ações em prol do distrito 13 parecem o ter transformado em um hipócrita e quase sem escrúpulo, já que seus planos vingança contra a capital surgem com a mesma violência com a qual seu distrito foi destruído.

A história é uma crítica à busca por direitos que vem forjada na máxima lei do talião de Hamurabi, "olho por olho, dente por dente". Gale e Coin são os personagens que mais evidenciam essa referência, tornando-se mais nítido nos momentos finais da trama, deixando claro que a tirania não está nos objetivos das ações, mas no processo de execução delas. Coin deseja unificar os distritos e destruir a soberania da Capital e não mede esforços para atingir esse objetivo, inclusive executando práticas semelhantes a de Snow.

Tudo isso me faz refletir ainda mais sobre o filme como um ato político. Imagina uma sociedade totalmente dividida, onde um governante faz dos habitantes peças de um reality show. Eu sei que é ficção, mas ainda sim penso que isso não é uma realidade tão distante de nós, os jogos e as mortes têm significados diferentes, porém com um mesmo objetivo: a busca pelo poder.

Embora, teve cenas de guerra, mortes ainda o achei meio parado. Apesar de achar bem fiel, dramas significativos como perdas de personagens importantes poderiam ter sido melhor construídos no filme, provocando uma maior comoção para com o telespectador. Também senti falta de algumas cenas. No entanto, vemos e estabelecemos poucos laços com esses personagens, falha que vem acontecendo nas produções anteriores. O longa deixa escapar uma oportunidade significativa de marcar os fãs da saga.


O que vocês acharam?